O cotidiano é capaz de enlouquecer qualquer um quando as válvulas de escape estão escassas, quando, apesar de respeitar o outro ele quer tomar o seu espaço e acha que todo o seu irritamento é sem fundamento, e por mais que seja bem visível as condições que você se encontra dizem por si. É, realmente não é fácil conviver com pessoas, por mais que eu tenha tido experiências que me tornaram uma pessoa mais "sociável", a minha impaciência toma conta desse caos em que vivo.
Será que é tão difícil a comunicação, o respeito, a felicidade alheia? Ter um pouco de decencia e ver que a vida não gira em torno de um cômodo, uma casa, um bairro, uma cidade, um estado, uma região, um país... Vivemos em um mundo, totalmente globalizado e sem consciência de que ele precisa de nós e nós dele. A sociedade precisa avançar, não só tecnológicamente, mas também socialmente, afinal somos uma população, mesma espécie, e é necessário uma organização e uma cooperação mútua. Falar de simbiose seria um equívoco, pois certas simbioses são sinônimos de destruição, apesar de que o homem é capaz de tudo pelo egóismo (que devo admitir, eu tenho uma boa quantidade, mas tenho noção do que está a minha volta).
Qual disturbio é mais incômodo? O da ausência, da indiferença, amargura, raiva, odio, paixão eloquente? Tudo que vira excesso, estraga. Às vezes acho uma pena, o desperdício de atitudes, a falta de silêncio que existe em qualquer local. Como é tranquilizante o barulho da chuva de madrugada, o suspiro em uma montanha, o vento sussurando em nosso ouvidos... A paz, a paz interior. Que saudade dela! Quando reflito sobre isso nem parece que eu tenho apenas 17 anos, dezessete!
Como queria não desperdiçar palavras, acabo me perdendo nelas. Quando posso escreve-las, digitá-las, tudo parece mais fácil. Agora, se preciso expressa-las, de modo verbal ou não, elas se enrolam, entrelaçam, pedem para ficar. O equívoco, o exitar realmente me abalam. O público, força maior, o que é isso?
Tenho um sorriso em meu rosto agora, meus lábios estão secos, assim como minha garganta. Minha pele pede socorro e meu corpo pede mudanças. Mexa-se, movimente-se, cante, grite, reclame, questione, faça valer a pena. Sempre! É assim que a vida continua...