Contradiction

Sinto-me apenas uma coisa. Não posso nem dar nome a isso.

Totalmente inútil, incompreendido, desnecessário e atrapalhador...

O fato, é, que com o tempo observamos as pessoas, os caminhos, as realidades... E vemos que se continuarmos parados, apenas olhando e olhando, seremos apenas figurantes de nossas próprias histórias. E é o que mais acontece.

Talvez, nem seja culpa nossa, ou minha, ou sua. É o simples acontecimento que considero uma seleção natural, como todos aprendemos no colégio. "Apenas os mais adaptados, sobreviverão", e realmente, é inevitável este caso. Em tudo em nossa realidade.

O que procuro, na realidade, é algo para me firmar, e, o que até hoje vinha me firmando para meu pensamento lógico de um futuro, que poderia ser apenas surreal, desapareceu. Em minha frente, enquanto observava. E não há aparência de volta.

Me sinto cada vez mais desorientada, e menos interessada no que meus atos irão transmitir aos outros. Realmente é algo que não me importa mais.

Venho observando também coisas, que até hoje não imaginava. De pessoas à uma simples cinza de cigarro. Na qual voa livremente quando há um vento propício à ele.

Somos todos nossos próprios abismos, inconsequentes e insuficientes.

Não procuro metáforas para a expressão. Não procuro ser explícita. Não procuro esconder nada.

Meu ar cada vez é mais instável, e não é preocupante.

A minha desconfiança alheia é cada vez maior.

Meus sentimentos aleatórios são cada vez mais sensíveis. Às vezes me sinto uma águia a espreita de uma presa indefesa.

Mas, qual seria a importância de tudo isso? Sinceramente, nada.

Eu deveria apenas escrever, e escrever, e escrever em meu caderno de anotações, e não expressar nada para os outros. Guarda-los para mim.

Mas há algo sempre me dizendo para continuar e continuar, sem sentido. Fazendo com que pessoas, que muitas vezes nem imagino leiam, sintam desgosto de ver algo atualizado para ler, e ser totalmente inútil.

Mas, continuo a dizer, preciso soltar minha incrédula falta de como me expressar em algo. Que para alguém, que realmente possa ler, e ver que preciso de ajuda, de ar.

Me sinto apenas mais um peixe de um aquário. Me sinto um pássaro em uma gaiola. Observando a liberdade, a realidade, e a felicidade alheia, como um ser inanimado, morto.

Mas, mas, mas... Quero poder dizer isso, e espontâneamente, aconteça algo que me surpreenda.

Quero apenas acreditar, novamente. Ou talvez finalmente acreditar, realmente em um começo.

Cada vez, acredito mais que tudo que acontece, e esse mudo no qual vivo, é estranho. E sei que é verdade, sei que isso é normal à todos, mas cada vez se torna maior minha preocupação. Cada vez mais desencaixada do que correta.

Boa Madrugada.

Posted via web from Look at in my eyes and say

 Clarice Lispector

...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.